Árctico com temperaturas mais elevadas
| Por Pedro Vacas

A temperatura no Árctico deveria estar a descer e não a subir ao ponto de ser a mais elevada em 2 mil anos, conforme estudo publicado na Science. Acção humana seria o motivo da reversão na tendência.
As temperaturas recentes verificada no Árctico são as mais elevadas em pelo menos 2 mil anos, aponta uma nova pesquisa. O trabalho, que reuniu registos geológicos e simulações feitas em computador, aponta que a região setentrional do planeta deveria estar a arrefecer e não a aumentar, devido à acção das emissões de gases estufa, que deturpam os padrões climáticos naturais.
O estudo, liderado por investigadores da Universidade do Norte do Arizona e do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR), nos Estados Unidos, foi publicado na edição desta Sexta-feira (4/9) da revista Science .
Os investigadores reconstruíram temperaturas nos Verões no Árctico nos últimos 2 mil anos, divididos por décadas – até então, os dados existentes eram referentes a apenas 400 anos –, para concluir que o processo de arrefecimento gradual que começou há milhares de anos deveria continuar .
Os resultados são particularmente importantes porque o Árctico, talvez mais do que qualquer outra região da Terra, encara impactos dramáticos promovidos pelas mudanças climáticas. Este estudo fornece registos de um período extenso que revela como os gases estufa gerados pelas actividades humanas estão a influenciar o sistema climático natural do Árctico”, disse David Schneider, do NCAR, um dos autores do estudo .
A análise das temperaturas no Verão na região indicou uma queda média de 0,2ºC a cada mil anos. O mais recente patamar de temperaturas mais baixas ocorreu durante a “pequena era do gelo” que teve início no século 16.
A alteração no ciclo orbital da Terra ocorrida nos últimos 7 mil anos levou ao processo de arrefecimento, mas essa tendência foi anulada pelo aquecimento derivado das actividades humanas no século 20.
Como consequência, as temperaturas do Verão no Árctico, no ano 2000, estiveram em média 1,4ºC mais elevadas do que seria de se esperar apenas pela tendência de arrefecimento.
Este estudo apresenta um claro exemplo de como o aumento na emissão dos gases estufa está a alterar o nosso clima, ao anular pelo menos 2 mil anos de arrefecimento”, disse Caspar Ammann, do NCAR, outro autor do trabalho .
fonte: Science















