Brasil é o país que mais exporta "água virtual"
| Por Pedro Vacas

A Alemanha consome anualmente 159,5 biliões de metros cúbicos de água, o equivalente a três vezes o volume do Lago de Constança. Este número foi apresentado pelo WWF, organização mundial ambientalista, na passada segunda-feira.
Segundo o estudo, cada cidadão alemão consome em média 5.288 litros de água por dia, o que corresponde ao volume de 25 banheiras cheias.
Para chegar a esse número, o estudo do WWF levou em consideração o consumo directo dos cidadãos e também o indirecto, como por exemplo, a água usada no cultivo de alimentos e nos processos industriais.
Segundo a organização, cada pessoa na Alemanha consome em média 124 litros de água por dia pelo uso directo, ao abrir a torneira.
A quantidade de água consumida por uma pessoa, empresa ou país é o que os ambientalistas chamam de pegada aquática.
O estudo do WWF aponta que aproximadamente metade da água consumida pela Alemanha é importada, ou seja, foi utilizada noutros países no processo de produção de mercadorias compradas pela Alemanha. É o que a organização chama de água virtual.
A agricultura é o sector que mais consome água: 117,6 quilómetros cúbicos – 73% do total anual. Mais de metade é importada: a maior parte da água virtual está nos produtos agrícolas importados do Brasil (5,7 biliões de metros cúbicos, utilizados principalmente na produção de café, soja e carne), da Costa do Marfim (4,2 biliões) e da França (3,5 biliões).
Só o consumo anual de café e cacau na Alemanha, por exemplo, requer 20 quilómetros cúbicos de água virtual. As carnes de vaca e de porco importadas também têm essa característica, além de sementes oleaginosas, como oliva, palma e algodão.
Na segunda posição, no ranking de consumo de água na Alemanha, está a indústria, com 36,4 biliões de metros cúbicos por ano. Neste ranking de consumo de água, o consumo doméstico fica em terceiro lugar (5,5 biliões de metros cúbicos).
"O consumo de água não é mau, mas faz parte de uma actividade natural", explica Martin Geiger, do WWF. O ambientalista alerta, entretanto, que é preciso prestar atenção à quantidade e às condições em que o recurso é retirado na natureza.
Para o WWF, deveriam ser criadas leis de responsabilidade sobre o uso da água. Assim, cada país poderia verificar a quantidade de água consumida nos produtos, quando fosse negociar a sua importação. Este recurso poderia, consequentemente, ajudar a Alemanha a reduzir a sua pegada aquática.
O conceito "água virtual" foi criado em 1990 pelo cientista inglês, John Anthony Allan. O termo leva em consideração o volume de água utilizado, a quantidade do recurso que se evapora ou fica poluído nos processos de produção.
A confecção de um par de sapatos de couro, por exemplo, consome 8 mil litros de água. A produção de um hambúrguer, 2,4 mil litros. O cultivo de algodão suficiente para produzir uma camisa consome 4 mil litros do recurso. Cada quilograma de açúcar contém, aproximadamente, 1,5 mil litros de água virtual.
O termo "pegada aquática" partiu do conceito "água virtual" e pode ser usado tanto para indivíduos, como para empresas e países.
fonte: dw-world















