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Gravador digital mede a poluição sonora no mar
| Por Pedro Vacas


Quatro alunos da Universidade do Algarve criaram uma espécie de gravador digital para medir a poluição sonora submarina visando à protecção de baleias, golfinhos e peixes. O protótipo começará a ser introduzido no mercado em 2010.

Cristiano Soares, Friedrich Zabel, Celestino Martins e António Silva são os quatro pesquisadores da Universidade do Algarve (UAlg) que formaram recentemente a empresa MarSensing com o objectivo, entre outros, de medir a poluição sonora no mar.

O hidrofone digital é autónomo do ponto de vista de energia e de armazenamento de dados, é um produto 100% português e a fase de construção e testes termina neste ano, Cristiano Soares, da MarSensing, "spin-off" do Laboratório de Processamento de Sinal da UALg.

O protótipo, que custou cerca de mil euros, vai ser introduzido no mercado em 2010 por meio de venda directa ao cliente, no site:www.marsensing.com.

Os ruídos subaquáticos provocados por explosões durante obras marítimas, barulhos das explorações petrolíferas, mas também a poluição sonora provocada por cargueiros e petroleiros nos portos marítimos e nas suas rotas perturbam os animais marinhos e podem, nos casos mais severos, torná-los inviáveis, ou causar a morte de forma indirecta.

Para os golfinhos e baleias, que comunicam por meio do som com diversos fins, como o acasalamento com recurso à ecolocalização (localização por ecos), é fundamental que nada quebre essa dimensão comunicacional.

Ruptura de ligações sociais, perda de sensibilidade auditiva temporária e permanente, maior cansaço dos animais por gastarem mais energia para se comunicarem e localizarem alimentos e aumento da morbidade são algumas das consequências.

"Existem relatos de baleias que foram avistadas em zonas do oceano onde supostamente não existiriam baleias, o que tem sido interpretado como uma fuga do ruído produzido por determinada actividade, ou mesmo pânico seguido de desorientação", diz Soares.

Os peixes também sofrem com a poluição sonora debaixo de água, ficando mais tensos.

"Um peixe stressado não se alimenta e não se reproduz", ressalta Soares, reconhecendo que esses factos levam a uma menor quantidade de peixe, afectando toda a cadeia alimentar.

O protótipo português está em sintonia com a União Europeia, que aprovou uma directiva em 2008 com objectivo de atingir metas de qualidade ambiental do ruído debaixo de água até 2020.

fonte: pelanatureza.pt


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