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Pegada Hídrica em Portugal
| Por Pedro Vacas


Pegada Hídrica em Portugal evidencia forte dependência de Espanha e elevado peso das importações de algodão, soja e carne.

A WWF, organização global de conservação de natureza, divulga hoje o seu mais recente relatório “Pegada Hídrica em Portugal - Uma análise da pegada de consumo externa”. Este relatório reforça as conclusões do primeiro relatório sobre a pegada hídrica portuguesa, que apontava já para o forte peso do sector agrícola, e para a elevada dependência externa, com mais de metade da água virtual consumida em Portugal a ter origem noutros países.

O relatório analisa em detalhe a dimensão desta dependência externa, quais os principais produtos agrícolas que a justificam, quais as suas origens geográficas e quais os impactos causados por esse consumo de água virtual. O principal destaque vai para a forte dependência de Portugal da importação de água virtual de Espanha, e para o elevado peso do algodão, dos produtos pecuários (carne, leite, pele) e da soja. Estes produtos são os que mais contribuem para a pegada hídrica portuguesa, quer pelo volume total de água importada, quer pelo forte balanço negativo que apresentam. As produções de uva e de azeitona (sobretudo para a sua transformação em vinho e azeite, respectivamente) são das poucas em que Portugal apresenta um excedente na balança de água virtual.

Dos cinco casos de estudo apresentados no relatório, quatro são referentes a produtos (algodão, pecuária, soja e azeitona), e o último ao principal parceiro comercial do país: a Espanha. Desta análise conclui-se que:

1) O algodão é o produto com maior peso na pegada hídrica portuguesa, quer pela importação quer exportação de água virtual. Portugal importa quase todo o algodão de que necessita para a sua expressiva indústria têxtil. Os produtos transformados (roupas e outros tecidos) são em larga escala exportados, nomeadamente para os países da União Europeia e EUA, com um acrescido input de água decorrente do processo industrial.

2) Para o conjunto dos produtos resultantes da actividade pecuária, o comércio de água virtual de Portugal está fortemente concentrado com Espanha (61% do total de importações, e 56% das exportações). Entre os diversos sub-sectores, a produção bovina é claramente aquela de que Portugal mais depende, sendo igualmente a mais poluidora e que mais água consome: para produzir um quilo de carne de vaca são em média necessários 3.682 litros de água.

3) Portugal é um forte importador de água virtual contida na soja, nomeadamente a partir de alguns dos principais países produtores mundiais (Brasil, EUA, Argentina). A sua transformação industrial fornece gordura barata e comestível (o óleo de soja é actualmente o óleo mais consumido em todo o mundo), e alimento altamente proteico para o gado, sendo estas as duas principais utilizações da soja em Portugal e no mundo.

4) A produção de azeitona para azeite é uma das poucas cujo comércio externo significa um superavit de água virtual para Portugal. As importações concentram-se em Espanha, sobretudo azeitona a granel que depois é associada à produção nacional, transformada em azeite e exportado para países terceiros, nomeadamente o Brasil e os EUA. Tradicionalmente uma cultura de sequeiro, o olival tem vindo progressivamente a ser explorado em sistemas intensivos e mecanizados de regadio, nomeadamente em bacias com problemas de escassez como o Guadiana.

5) A dependência externa hídrica de Portugal concentra-se em Espanha, seu principal parceiro comercial no mundo, o que contribui para uma dependência hídrica ainda maior do que aquela ditada pela geografia. Apesar disso, Portugal apresenta um saldo positivo, exportando um volume de água virtual ligeiramente superior àquele que importa Os produtos pecuários representam para Portugal mais de metade da importação de água virtual de Espanha (nomeadamente carne de bovino e de suíno), seguidos de produtos para transformação em óleos vegetais (azeite e óleo de girassol), e do algodão para a indústria têxtil. A exportação de água virtual faz-se sobretudo por via dos produtos têxteis (fabricados a partir do algodão importado), do trigo e seus produtos derivados (nomeadamente rações) e de lacticínios.

Com base na análise efectuada, a WWF apresenta um conjunto de recomendações específicas para decisores políticos, empresas e cidadãos portugueses.

A nível político, a WWF propõe que se assuma a pegada hídrica como medida dos impactos da actividade humana na água, e que esta seja integrada nos sistemas de planificação e gestão; a coordenação internacional de esforços de redução da pegada, nomeadamente nos países e bacias com maiores problemas de poluição e/ou escassez; a promoção de políticas que garantam uma utilização sustentável da água; e o condicionamento da ajuda económica externa a uma avaliação positiva do uso da água nos países receptores.

Quanto às empresas, a WWF propõe que estas incorporem a análise da pegada hídrica na sua estratégia de sustentabilidade e responsabilidade social corporativa, reduzindo a sua pegada hídrica, analisando a sua cadeia de produção, condicionando os fornecedores a uma avaliação positiva da pegada, e assumindo publicamente as origens da água necessária à sua actividade, no âmbito duma estratégia de redução da pegada e dos riscos associados, por um lado, e de compensação dos impactos por outro. No caso das empresas agrícolas, a WWF aponta como caminho a modernização dos seus sistemas de rega e a redução das perdas nas redes de captação e distribuição.

Por último, a WWF propõe aos cidadãos que reduzam a sua própria pegada hídrica através de uma utilização mais racional da água, da reutilização, e da instalação de equipamentos mais eficientes. A redução do consumo de produtos com uma pegada muito elevada (como a carne) é outra das recomendações, adoptando-se uma dieta mais responsável e em geral mais saudável, bem como a redução do desperdício de alimentos e a reciclagem de resíduos.

A WWF defende que falta uma iniciativa regional mediterrânica que promova a produção sustentável de azeite, com base na redução da pegada hídrica e dos impactos ambientais dos olivais; e que Portugal e Espanha têm condições privilegiadas para assumir em conjunto as suas responsabilidades internacionais de redução da pegada hídrica.

Fonte: WWF

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