Amendoim: excelente potencial para biodiesel

Da soja, pode-se extrair 20% de óleo para fabricação de biodiesel. Do amendoim, algumas variedades produzem até 50% de óleo para a mesma finalidade. A diferença é que, hoje, a soja é o principal vegetal utilizado para fabricação de biodiesel. O amendoim, por sua vez, continua escasso comercialmente, quando o assunto é bioenergia.
Para alguns investigadores, porém, o amendoim tem mais potencial que a soja. O agrónomo da Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), Dilson Cáceres, especialista em oleaginosas, diz que "quando o mercado deixar de focar o volume de produção e voltar-se para a qualidade, o óleo de amendoim poderá ser uma das principais fontes de biodiesel".
Ainda falta um longo caminho até que o amendoim alcance este status. Primeiro porque as áreas de cultivo são pequenas, que concentra 90% das lavouras da oleaginosa, cultivada em regime de rotação com a cana-de-açúcar.
Segundo, porque a maior parte da produção é destinada ao sector de confeitaria, o que diminui ainda mais o volume de matéria-prima destinado ao óleo, que actualmente também vai para fins culinários.
Um dos caminhos para tornar o amendoim a principal fonte de biodiesel é investir no melhoramento genético, defende o investigador Ignácio José de Godoy, do Instituto Agronómico (IAC-Apta).
Segundo Ignácio José, o alto custo de produção do óleo de amendoim não estimula as empresas a produzir biodiesel, já que o que se paga pelo combustível é menos do que pelo óleo puro, com alto valor agregado.
Ponto crítico
"O custo de produção é alto, 905 euros, aproximadamente, por hectare, o que torna inviável um projecto exclusivo para biodiesel", diz. A estratégia, passa por investir no desenvolvimento de variedades com alto teor de óleo e resistentes a pragas e doenças. Segundo Godoy, este ponto é crítico, porque no amendoim os gastos com defensivos representam 25% do custo de produção.
Para o agrónomo, Inácio José, o desenvolvimento de variedades resistentes e produtivas tanto em óleo quanto por hectare pode estimular o surgimento de um sistema de produção dirigido especificamente para o sector energético, o que hoje não ocorre. "Actualmente o que abastece as empresas produtoras de óleo é o amendoim rejeitado nas empresas de confeitaria."
Segundo Godoy, a cultivar, de porte rasteiro, já despertou o interesse da indústria de óleo, que está a testar o cultivo fora do Estado. É o caso da Brumau, Comércio de Óleos Vegetais, uma das maiores esmagadoras de amendoim do Brasil. A empresa plantou recentemente 1.250 hectares no Estado do Tocantins. Conforme com o gerente de Desenvolvimento da Brumal, Claudio Rocha, o objectivo da empresa é, no médio prazo, entrar definitivamente no mercado de biodiesel (hoje o foco da empresa é a exportação de óleo comestível). "Mas, para tanto, é preciso tornar viável a plantação em larga escala",diz Rocha. O próximo passo é calcular a redução de custos com a plantação da variedade melhorada, "questão vital para o cultivo em larga escala".
DNA do biodiesel
IAC caiapó - Desenvolvido pelo IAC-Apta, cultivar apresenta alto nível de resistência a pragas e doenças e alto teor de óleo na semente (50%). Esta variedade destaca-se também pela alta concentração de ácido oleico.
IAC 505 - Ainda em fase de testes, cultivar possui 49% de óleo na sua semente e também tem alta concentração de ácido oleico. Pelas suas características, é cotada para produção de biodiesel.
Amendoim branco - Desenvolvida pela Embrapa para a região semearia, a cultivar de casca branca possui 50% de concentração de óleo na semente e o seu ponto forte é não concorrer com variedades comestíveis.
fonte: Estado S. Paulo



















