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Energia – Egipto: O sol pode iluminar o futuro
| Por Pedro Vacas


“Há muito potencial não aproveitado aqui”, disse Amr Mohsen, presidente e director-geral da Lótus Solar Technologies, empresa egípcia especializada em energia solar. “Há muito sol e a região tem tudo o que é necessário para produzir o quilowatt/hora mais barato”, acrescentou. O Egipto fica no “cinturão solar” da África setentrional, tem uma topografia desértica plana e céu claro durante grande parte do ano.

A concentração anual dos raios solares é, em média, de 2.300 quilowatts por metro quadrado no Egipto, cerca de 130% do existente na Alemanha. Mas, usa-se menos de 10% de tecnologia solar por habitante no Egipto. O Egipto depende das escassas reservas de gás e petróleo para cobrir mais de 85% do consumo eléctrico. Este país pretende que 20% da procura sejam atendidos por fontes renováveis até 2020. Mas, nessa proporção, a radiação solar representa apenas 2%, o restante refere-se a energia hídrica e eólica.

Os painéis fotovoltáicos, que produzem electricidade a partir dos raios do sol, são usados para fazer funcionar dispositivos de baixo consumo como estações repetidoras de telecomunicações e cartazes de publicidade na via pública, mas não se consegue impor iniciativas de uso doméstico, como os aquecedores solares de água. No Egipto, esses dispositivos ocupam “entre 400 mil e 500 mil metros quadrados para uma população de 80 milhões de habitantes, mas metade das unidades não funciona”, lamentou Mohsen. “Por outro lado, em Israel, cobrem seis milhões de metros quadrados para seis milhões de pessoas”, acrescentou.

Estes dispositivos têm tido pouca aderência. Deve-se a uma variedade de factores, explicou o especialista, desde o alto custo do investimento inicial, passando pelo medo de riscos, até à resistência dos moradores de prédios a compartilhar a pequena área do terraço. “Cerca de 90% das torres residenciais deste país são de cinco andares ou mais, com uma população muito diversa”, disse Mohsen. “O tecto é usado principalmente para colocar antenas parabólicas e de televisão”. Um aquecedor solar de água de 360 litros, que cobre o gasto diário de uma família pequena, ocupa seis metros quadrados e custa US$ 1.200. “As pessoas não os compram pelo alto custo inicial e não há incentivos do governo”, disse, por sua vez, Gamil Nazir, técnico de vendas do Sistema de Energia Solar do Egipto.

A maioria dos aquecedores está instalada em comunidades construídas nos arredores das grandes cidades, devido a uma decisão ministerial de meados da década de 80 que impôs a sua obrigatoriedade. Foram instaladas cerca de 50 mil unidades, mas estima-se que a maioria não funcione ou esteja desligada, disse Nazir. Foi uma boa decisão, reconheceu Mohsen, mas a má qualidade dos aquecedores desanimou as pessoas. O uso industrial da energia solar continua a ser um dos seus grandes potenciais sem exploraração. “Mais de metade do combustível fóssil usado no Egipto é destinada a aquecer água ou gerar vapor, precisamente a função dos dispositivos solares”, ressaltou Mohsen.

Os aquecedores servem perfeitamente para pasteurizar leite, esterilizar garrafas e fazer funcionar lavadouros em dezenas de milhares de fábricas e empresas. A primeira empresa egípcia que substituiu o óleo combustível das caldeiras geradoras de vapor por aquecedores solares foi um laboratório farmacêutico que começou a operar em 2004. Mas o projecto experimental, com dois mil metros quadrados de painéis reflectores, foi frustrado devido à péssima localização determinada pelas autoridades. As filas de espelhos parabólicos foram colocadas dentro de um complexo industrial militar, onde recebiam partículas corrosivas emitidas por uma das fábricas. A caldeira solar gerou vapor e permitiu comprovar a viabilidade do projecto, apesar de não se ter contemplado o delicado revestimento dos reflectores.

Salvo algumas instalações turísticas em áreas distantes deste país, as empresas locais mostram-se resistentes a testar a energia solar por questões de espaço e pelo alto custo da tecnologia. Muitas empresas desconhecem os incentivos financeiros estatais para a energia solar. As fábricas que usam fontes de energia limpa podem aspirar receber um subsídio do Centro de Modernização Industrial, que fica no Cairo e que chega a 15% do custo da reconversão. Também podem conseguir financiamento pelo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) previsto no Protocolo de Quioto, assinado em 1997 e em vigor desde 2005.

A disponibilidade de gás e petróleo subsidiado barato faz com que as empresas não tenham incentivos para mudar para a energia solar, explicou Mohsen. “Com os subsídios, o capital inicial para abandonar o óleo combustível é recuperado em 10 anos, se for gás natural é em seis. Mas se for eliminada a subvenção deste último, o prazo diminui para quatro anos. Nesse caso, as pessoas iriam pensar melhor”, acrescentou. O Egipto está a redigir uma nova legislação para regular o sector eléctrico que prevê eliminar os subsídios e, pela primeira vez, subvencionar as energias renováveis. Mas, o que realmente pode fazer a diferença é reformar as disposições municipais que regem as novas construções.

“As autorizações de construção não devem ser dadas se os novos edificios não preverem aquecedores solares de água nos terraços”, disse o director da Agência de Assuntos Ambientais, Hisham El-AGamawy. “Será um incentivo para que os proprietários e construtores pensem de forma verde”, disse. Após uma grande demora, começou a construção de uma central de energia termo solar em Kureimat, a 95 quilómetros ao sul do Cairo, que irá gerar electricidade mediante dois ciclos termodinâmicos coexistentes. A turbina de gás gerará 150 mega watts e a caldeira solar de vapor outros 20 mega watts. A pouca energia solar empregue não permitirá avaliar a viabilidade comercial do modelo, segundo alguns críticos, mas permitirá adquirir experiência para futuras iniciativas.

Por fim, o Egipto é um dos candidatos a participar num projecto de aproximadamente US$ 550 bilhões para construir centrais termo solares nos desertos da África setentrional para cobrir 15% das necessidades de energia eléctrica da Europa até 2020. Os egípcios começam a pensar que, se para os europeus é viável gerar energia solar térmica neste país e levar por milhares de quilómetros até seu território, o modelo pode chegar a ser útil no contexto local.

fonte: ISP


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