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Palmeira produz óleo substituto do petróleo
| Por Pedro Vacas


Com incontáveis benefícios, o babaçu, fruto de uma palmeira de crescimento espontâneo abundante na Amazónia, produz um óleo que pode ter potencial energético para substituir o uso do petróleo e do diesel para uma cidade inteira. Só no município de Barreirinha (a 331 quilómetros de Manaus), são 3 milhões de árvores da espécie, com produção de 200 quilos de frutos por planta.

Este número, segundo o agrônomo e investigador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazónia (Inpa), Luiz Antônio de Oliveira, aponta para a alternativa do uso da biodiversidade. Com o intuito de descobrir tais potenciais, além da utilização dos resíduos de madeira para produção de álcool, Oliveira submeteu, com sucesso, o projeto "Aproveitamento de resíduos de madeiras e avaliação do potencial de espécies florestais para a produção de biocombustíveis", ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento de Tecnologias para a produção de Biocombustíveis no Estado do Amazonas (Biocom).

O Programa, viabilizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), destinou mais de 114 mil euros, aproximadamente, em recursos para o grupo de investigadores, contemplados no edital 009/2009.

Rico da raiz às folhas, o babaçu serve de matéria-prima também para a fabricação de cestos, janelas, gaiolas, entre outros. "O que mais tem na Amazónia é resíduo vegetal e de madeira. Estamos a estudar as espécies que podem servir de matéria-prima para a produção de biocombustível. Usando esses micro-organismos, aproveitamos os resíduos que muitas vezes ficam como contaminantes ambientais", destacou o investigador.

Em parceria com a especialista em palmeiras e coordenadora do Laboratório de Pesquisa em Botânica do Inpa, Ires Paula de Andrade Miranda, Oliveira quer oferecer no final do projeto produtos que possam, a partir do biocombustível, gerar desde energia até o álcool volátil para a utilização no setor de cosméticos.

Testes para cosméticos

Caso sejam identificados o tipo e a concentração do álcool, a palmeira poderá servir para utilização em cosméticos sendo um resultado secundário do projeto que trará auto-suficiência para o Amazonas, que hoje, segundo o investigador, importa a matéria-prima. "Não é difícil para a nossa pesquisa. Podemos descobrir o tipo de álcool e trazer condições para que o produto seja fabricado aqui, evitando a importação e reduzir os custos para praticar um preço competitivo", avaliou.

Para a investigadora Ires Miranda, o Programa Biocom é uma excelente oportunidade de criar situações para explorar o aproveitamento das palmeiras e gerar renda para moradores de municípios onde as espécies se desenvolvem em grande quantidade. "Fizemos um levantamento da ocorrência de palmeiras em áreas degradadas. É uma forma de evitar as desflorestações, já que os homens do campo podem trabalhar com essa diversidade sem precisar desflorestar novamente. A ideia é essa", projetou.

Biocombustível nas comunidades

Com aproximadamente dez anos de experiência, a trabalhar com observação da ocorrência dessas espécies em regiões de alta desflorestação, como o sul do Pará, além de estudos em Roraima, foi identificada a facilidade das palmeiras em se desenvolver nas áreas alteradas.

Ires enfatiza a importância das palmeiras como potencial para produção de biocombustível em muitas comunidades, citando exemplos de trabalhos iniciais em Manacapuru (a 68 quilómetros de Manaus). "Contamos todas as palmeiras e percebemos a participação do açaí, então fizemos um plano piloto e o Dr. Luiz Antônio convidou-me para fazer um inventário nos interiores. Já trabalhamos em vários municípios", disse.

O foco da pesquisa é movimentar esse mercado e efetivar a inclusão social nas localidades. Caso a equipa consiga comprovar cientificamente o potencial do babaçu para produção de óleo diesel, de acordo com o Dr. Luiz Antônio de Oliveira, existe a possibilidade de abastecer com essa energia não uma cidade, mas uma vila inteira. "Se houver boa densidade da planta por hectare penso que dá para substituir totalmente o diesel, além de gerar emprego, porque é necessário apanhar o babaçu, o intermediário para levar à termoelétrica", projetou.

Fonte: UDOP


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