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Uso da psicologia é fundamental na questão climática
| Por Pedro Vacas


Sabendo que o comportamento das pessoas contribui directamente para o aquecimento global, um estudo sugere que o conhecimento de psicólogos deve ser aproveitado para alterar antigos hábitos e tornar as leis ambientais mais fáceis de serem aceites.

A cada nova investigação que é realizada, mais clara fica a contribuição humana para o aquecimento global. Essa responsabilidade dá-se principalmente por motivos comportamentais, como o consumo de energia e o crescimento populacional.

Percebendo este facto, a Associação Americana de Psicologia (APA) realizou um estudo para entender porque as pessoas estão a demorar tanto para perceber que devem subornar-se ao combate às mudanças climáticas. A investigação também mostra que a psicologia deveria exercer uma função maior nessa luta.

“O que é importante entender é a relevância do comportamento humano para as mudanças climáticas. Devemos compreender o porquê das pessoas não estarem a agir e então fazer com que elas ajam”, esclareceu uma das autoras do estudo, a investigadora Janet Swim, da Universidade do Estado da Pensilvânia.

O trabalho “Psychology and Global Climate Change: Addressing a Multi-faceted Phenomenon and Set of Challenges” foi divulgado a semana passada e examina dezenas de investigações e práticas psicológicas que foram utilizadas em áreas ligadas às mudanças climáticas, ao meio ambiente, à conservação e desastres naturais.

Com isso, o relatório consegue oferecer com detalhe, nas suas mais de 200 páginas, a conexão entre psicologia e mudanças climáticas, sugerindo inclusive recomendações para novas políticas.

A APA cita uma investigação do PEW Research Center na qual 75% a 80% dos entrevistados afirmam que as mudanças climáticas são um assunto importante. Porém, ao classificá-la num ranking, a questão aparece em último numa lista com 20 itens, bem atrás de assuntos como a economia ou o terrorismo.

Apesar dos alertas de cientistas e ambientalistas para minimização dos piores efeitos das mudanças climáticas, o cidadão comum simplesmente não sente esse sentimento de urgência. As pessoas deveriam mudar imediatamente os seus hábitos.

Entre os factores citados pelo estudo da APA para essa falta de vontade de querer agir estão: desconhecimento, desconfiança, negação, a sensação de que sozinhas não influenciam o cenário maior e pura e simplesmente a recusa para alterar antigos hábitos.

A APA destacou algumas maneiras de como a psicologia já está a trabalhar para ultrapassar esses obstáculos. A entidade reconheceu, por exemplo, que as pessoas utilizam mais aparelhos com boa eficiência energética se a economia deles for clara e imediata. Equipamentos que mostram o quanto de energia e de dinheiro estão a economizar são mais procurados pelos consumidores.

“Ao mostrar a informação em tempo real ou ao menos diariamente, os produtos são mais bem aceites do que se apenas prometerem uma conta de luz mais baixa no fim do mês”, afirmou Swim.

A investigação também demonstrou que só a oferta de incentivos financeiros para a implementação de políticas não é tão eficaz como a sua combinação com medidas conforme a atenção às conveniências para os consumidores, garantias de qualidade e fortes acções de marketing social.

Um exemplo prático é citado pelo estudo. Num programa de adopção de sistemas mais eficientes de controlo de temperatura das habitações (o que contribui para a redução do consumo energético), as comunidades que foram alvo dessa combinação de acções aderiram em maior quantidade, 20%, do que as que contaram apenas com incentivos financeiros.

Entre as áreas que a psicologia poderia ajudar são destacadas o desenvolvimento de leis ambientais, programas de incentivos económicos, tecnologias de eficiência energética e métodos de comunicação.

“Muitas das políticas falham porque se baseiam num único tipo de intervenção, como tecnológica, económica ou de regulamentação. Poderiam ser mais bem sucedidas se os legisladores fizessem uso do conhecimento da psicologia”, conclui o estudo.

fonte: envolverde/CB


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