VGNs, a solução urgente para Portugal

Os veículos a gás natural (VGNs) avançam no mundo todo. Hoje já há cerca de 10 milhões de VGNs em circulação em todos os continentes e esse número aumenta ano a ano. Mas não ainda em Portugal. No nosso país os VGNs permanecem uma solução adiada: existem apenas cerca de 400 VGNs, num parque total que é da ordem dos 5,7 milhões de veículos.
No entanto, há todas as razões para avançar – com urgência – no caminho da generalização dos VGNs em Portugal. Isso é verdadeiro tanto do ponto de vista da qualidade do ar que respiramos como do ponto de vista da balança de pagamentos (importamos cerca de 16 milhões de toneladas/ano de petróleo, o que significa um enorme rombo na balança comercial). Trata-se de uma situação paradoxal.
Além dos benefícios ambientais e económicos, há outro factor poderoso para o desenvolvimento acelerado dos VGNs: a realidade do Pico de Hubbert, ou seja, o pico máximo da produção petrolífera possível. Embora não falem publicamente no assunto, os governos mais lúcidos procuram criar alternativas a fim de minimizar o seu impacto futuro. É assim que a Alemanha já tem instalados cerca de 900 postos de abastecimento para VGNs, as pequenas Suíça e Áustria mais de uma centena cada um, a Itália meio milhar, etc, etc. E as frotas de VGNs continuam a aumentar: mais de um milhão e meio na Argentina e outro tanto no Brasil; no Paquistão são 2 milhões, ou seja, 60% da frota total no país. No Irão, todos os veículos ali fabricados já são a gás natural – cessou a produção de veículos com combustíveis líquidos pois o petróleo que ainda lhes resta é destinado à exportação.
Em Portugal ainda não há uma política de Estado favorável aos VGNs. Aqui o governo deu um conjunto de estímulos à falsa solução do biodiesel, o qual não poderá solucionar os nossos problemas energéticos e nem sequer os ambientais. E, como se sabe, as más soluções costumam tirar espaço e recursos às boas.
No entanto, uma política de substituição geral do petróleo pelo gás natural no sector dos transportes é perfeitamente factível e está ao alcance das nossas capacidades. Admitindo que a instalação de um posto GNC monte a 300 a 400 mil euros (sem contar o valor do terreno), a instalação de uma centena de postos GNC em Portugal custaria apenas uns módicos 30 a 40 milhões de euros. Trata-se de uma quantia absolutamente irrisória quando comparada com os grandes investimentos em obras públicas agora projectados (só o novo aeroporto está orçamentado em €5000 milhões!).
Os benefícios para a sociedade portuguesa decorrentes da generalização dos VGNs seriam espantosos. Isso se verificaria sob múltiplas ópticas, desde a balança de pagamentos até à qualidade do ar nas nossas cidades, desde a criação de postos de trabalho até as poupanças nos custos de exploração entre os operadores de transportes. Poder-se-ia chegar à formação de um cluster dos VGNs, envolvendo a indústria metalúrgica e automobilística.
Está na hora portanto de as forças vivas do país enveredarem decididamente pelo caminho dos VGNs. Na ausência de uma política de Estado nesse sentido, como seria desejável, será necessário fazer essa operação "de baixo para cima". Os detentores de frotas devem ter um papel primordial nesse processo. Será preciso que abandonem políticas passivas e tomem iniciativas em favor dos VGNs. As empresas com frotas e os associados da ANTRAL, ANTRAM e ANTROP têm tudo a ganhar com isso.
Por outro lado, as nossas Câmaras Municipais podem e devem ter um papel decisivo na generalização dos VGNs. Basta que: 1) adoptem políticas de substituição geral das suas frotas convencionais de pesados e ligeiros por VGNs; 2) cedam terrenos a comercializadores de gás natural dispostos a abrir postos públicos de abastecimento GNC. Ambas as medidas devem correr em paralelo a fim de ultrapassar o célebre problema da galinha e do ovo: não há postos GNC porque não há VGNs e vice-versa.
Hoje em dia, a adopção dos VGNs pode ser extremamente facilitada com o recurso à transformação de motores a gasóleo para gás natural nas frotas existentes. O mais prático para os interessados será recorrer a uma consultoria segura como a da APVGN, que pode elaborar projectos "sob medida" a fim de optimizar todo o processo e os custos respectivos. Os projectos incluem a transformação da frota de pesados já existente, um calendário para a substituição dos veículos convencionais por VGNs novos e a instalação de posto(s) local(is) de GNC em regime de serviço público.
O caminho está aberto, as condições estão criadas. Agora é preciso romper a inércia. As empresas e as municipalidades de Portugal é que têm a palavra.
fonte: APVGN




















