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natureza

Entrevista com a primatologista Jane Goodall
| Por Pedro Vacas


A primatologista britânica Jane Goodall esteve no dia 23 no Parlamento Europeu, em Bruxelas, para falar com alunos de 37 nacionalidades diferentes sobre chimpanzés e conservação do meio ambiente. "Não herdámos o planeta Terra dos nossos pais, pedimo-lo emprestado aos nossos filhos", citou a especialista em chimpanzés, que passou várias décadas a estudar estes primatas.

Veio ao Parlamento Europeu falar com uma audiência muito diferente da que normalmente ocupa o edifício. Qual é, para si, a mais interessante?

JG: Sim, estou aqui para falar com jovens e crianças de muitas zonas diferentes. Claro que também é importante falar no hemiciclo, o mundo em que vivemos encontra-se numa tal confusão e temos infligido tanto sofrimento que precisamos de trabalhar arduamente em todas as camadas da população.

Que mensagens gostaria de transmitir hoje?

JG: Que apesar de termos prejudicado o seu futuro, os jovens podem fazer muito. Está no momento de nos reunirmos, os mais velhos e os mais novos, e começarmos a curar algumas das feridas que causámos.

A proteção ambiental e a biodiversidade serão temas centrais na Conferência da ONU sobre clima, em Dezembro. Que mensagem gostaria de transmitir aos participantes?

JG: Uma das medidas mais importantes – e mais eficazes em termos económicos – em matéria de alterações climáticas é a proteção das florestas tropicais. Quando destruímos uma floresta libertamos dióxido de carbono, o mesmo sucedendo com as queimadas porque a floresta armazena dióxido de carbono. Uma outra questão que deve ser analisada é a da criação intensiva de animais. Estão a ser destruídas grandes áreas florestais para ceder espaço ao cultivo de cereais: cada vez mais pessoas comem mais carne e querem a carne a um preço acessível. A dieta dos animais não é natural, o que faz com que libertem enormes quantidades de gás metano, que contribuiu muito para o efeito de estufa. Além da crueldade que representa, esta criação intensiva de animais está a prejudicar gravemente o ambiente e a saúde humana.

Pergunta de Charlotte Biddle via Facebook: Quais são para si as principais mensagens a transmitir em matéria de ambiente e vida selvagem?

JG: O ambiente faz parte do nosso futuro e, nesse sentido, esta é a mensagem mais importante. Muitas pessoas pensam que é necessário optar entre desenvolvimento humano e proteção ambiental. Se não protegermos o nosso ambiente e os nossos recursos naturais, estamos a comprometer o futuro dos nossos filhos. Existe um ditado que diz: "não herdámos o planeta dos nossos pais, pedimo-lo emprestado aos nossos filhos". Temos andado a roubar, a roubar, a roubar e cá estamos nós, as pessoas mais intelectuais que já pisaram o planeta e, com este cérebro incrivelmente complexo, destruímos a nossa própria casa. Diz-se que se todas as pessoas vivessem de acordo com os padrões dos europeus, seriam necessários mais 5 ou 6 planetas, mas nós nem sequer um planeta novo temos! Precisamos de utilizar este cérebro complexo e começar a tomar decisões inteligentes que contemplem os efeitos futuros e não apenas os efeitos imediatos.

Pergunta de Dinesh Kumar via Facebook: O que podem as pessoas fazer para preservar a biodiversidade, depois de termos destruído uma parte importante do planeta?

JG: As pessoas perguntam-me muitas vezes o que podem fazer. A dimensão dos problemas é tão grande que se sentem impotentes e, quando se sentem impotentes, não fazem nada. As pessoas deixam tudo para os cientistas e para os políticos, afirmam tratar-se de "um problema deles e não meu". Digo sempre às pessoas para "pensarem alguns minutos todos os dias nas consequências das escolhas que fazem – o que compram, o que comem, o que vestem, como se deslocam de um local para outro". Algumas pessoas não podem tomar a decisão correta, mas existem milhões de pessoas que podem, todos nós podemos tomar algumas das decisões acertadas.

Pergunta de Danielle Demos via Facebook: Em 2003 os delegados indígenas afirmaram na cidade sul-africana de Durban que "primeiro fomos desapossados em nome dos seus reis e imperadores, depois em nome do desenvolvimento estatal e agora em nome da conservação". Qual seria a sua resposta?

JG: Estou 100% de acordo com eles. Trabalhamos com povos indígenas em diversas partes do mundo. Foram explorados e desapossados. Felizmente, em muitos locais voltam a ter uma palavra a dizer. Tenho uma profunda admiração pelos povos indígenas que defendem os seus direitos perante as forças que os querem desapossar, muitas vezes arriscando a própria vida.

Fonte: europarl


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