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Kaza maior reserva natural do mundo
| Por Pedro Vacas


Área do Kaza é maior do que a Inglaterra e ocupa partes de Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue. Parque garante livre circulação de grandes animais africanos, como o elefante, e deve receber turistas em breve.

Foram anos de negociações até que o maior parque natural do mundo, conhecido como Kaza, saísse do papel. Na quinta-feira passada (18/08), celebrou-se em Luanda, capital de Angola, a assinatura do contrato que cria uma gigantesca área de proteção natural no continente africano. O contrato foi assinado por Angola, Botsuana, Namíbia, Zâmbia e Zimbábue. O primeiro passo foi dado já em 2006, quando as cinco nações assinaram um memorando de entendimento.

A reserva não conhece fronteiras: instalada na região dos rios Okavango e Zambezi, o parque tem uma área de 278.132 quilómetros quadrados, o equivalente à área da Itália. O Kaza incorpora parques nacionais dos cinco países africanos, ainda separados pelas fronteiras dos tempos coloniais.

"Os animais sabem o que são fronteiras? Eles conseguem reconhece-las? Claro que não. Essas fronteiras foram um desastre, um erro sério", argumenta o professor zambiano Andrew Nambota, gestor do projeto, ao saudar a liberação do espaço para circulação dos animais.

Proteção da vida selvagem

O projeto também adquiriu outro significado: um reinício para a região depois da era colonial, da luta pela independência e de guerras civis. Ainda assim, o Kaza é formado por 36 parques nacionais e áreas de proteção marcados por grande pobreza e enorme riqueza de vida selvagem.

Em Botsuana vive a maior população de elefantes do continente: são aproximadamente 120 mil animais. No território também vivem girafas, zebras, leões e búfalos. No Zimbábue, as famosas cataratas Vitória, no rio Zambezi, também farão parte do Kaza. Os antílopes, além de leopardos e outros predadores, são os mais comuns na paisagem da Zâmbia.

O principal órgão financiador do projeto é o KfW, banco alemão de desenvolvimento, ou seja, os contribuintes alemães. Segundo Ralph Kadel, a instituição entende que sua ajuda para proteção da natureza é uma forma de luta contra a pobreza. "A pobreza na África, como vemos agora a situação no Chifre da África, é algo que nos atinge profundamente e, por isso, a cooperação alemã para o desenvolvimento tem muito interesse em que essa situação não atinja outras regiões do continente dessa forma drástica. E nesse sentido, a proteção da natureza pode prestar uma grande contribuição."

O ecoturismo é tido como um grande gerador de emprego na região. Mina Mubanga, Zâmbia, confirma a importância do setor: "Por meio do projeto, apoiamos a proteção ambiental com base comunitária, e esse é um caminho que leva adiante." Segundo a regra geral, oito turistas de safari geram um posto de trabalho.

Kadel, no entanto, ressalta a importância da conservação da biodiversidade num contexto global. "O oxigénio que nós respiramos na Alemanha não é produzido apenas no país, mas também na Amazónia, na bacia do Congo, e também no sul da África."

Livre de fronteiras

Depois dos sete anos de preparação, o representante do KfW considera a assinatura do contrato entre as cinco nações como uma "pedra fundamental muito importante". Corredores biológicos irão interligar áreas de proteção até então separadas, resgatando antigos caminhos migratórios dos elefantes. Os primeiros 40 quilómetros de cercas de fronteiras já foram retirados.

Willem van Riet, professor sul-africano, teve a oportunidade de observar a movimentação dos elefantes pelo território livre. "Foi fantástico, porque nós colorimos muitos elefantes e acompanhamos a movimentação dos animais por meio de imagens de satélites, e vimos como eles seguiram o caminho para Zâmbia e Angola."

Em breve, as pessoas também poderão seguir os elefantes: os moradores poderão circular em trechos limitados, e os turistas precisarão de apenas um carimbo para todo o Kaza. "Está é uma questão central, que vai decidir o sucesso ou o fracasso desse projeto", diz Kadel.

Fonte: dw-world

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