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Prevê-se o desaparecimento da nossa espécie durante o séc. XXI
| Por Pedro Vacas


Os problemas ambientais, que são vastos e ameaçadores, e que não se resumem apenas ao aquecimento global, derivam das nossas acções diárias, do nosso comportamento em relação à natureza e da rota de colisão que decidimos traçar contra a Terra, guerra da qual não sairemos vencedores.

Ecossistemas extremamente interligados estão em vias de passar por uma transformação brusca e não linear, caso essas acções diárias ligadas ao nosso modelo de produção e consumo não sejam abolidas.
 Houve duas grandes extinções naturais da vida na Terra, causadas por mudanças climáticas bruscas. Nunca houve, desde os 4,6 biliões de anos da Terra, mudança tão rápida, como o aumento em apenas 200 anos da concentração dos gases do efeito estufa na nossa finíssima atmosfera. Nunca houve também uma extinção antropomórfica como a actual ou que tivesse sido causado por apenas uma espécie.

O facto aterrador é que a humanidade está a produzir a terceira maior extinção já registada. Todos falam do problema climático, mas mal comentam que já está em curso o maior processo de extinção em massa de espécies animais e vegetais dos últimos 65 milhões de anos. A questão já não é se vai acontecer, mas como podemos impedir o agravamento dessa tragédia. A Índia parou de produzir arroz e açúcar, a Austrália leite; o pólo norte tinha uma calota polar do tamanho dos Estados Unidos por milhões de anos, que durante o verão se reduz a 15% e em 2014 irá desaparecer por completo.

A situação piora e ameaça enormemente grande parte da população quando continentes gelados derreterem, elevando o nível dos oceanos em vários metros. Cientistas russos mostram que a inundação das cidades litorais é muito maior que o aumento do nível dos oceanos, por conta do efeito da maré. É na verdade um múltiplo. Essas mudanças ocorrerão quando a resistência da Terra for vencida e além de ser irreversível a partir desse ponto, a mudança é brusca e tornará a vida inviável quase que inteiramente.

Os cientistas, como Martin Rees, já declaram que a probabilidade do homem terminar o século XXI é bem pequena.
 Como economista ecológico estou cada vez mais convencido que a minha ciência – a Economia – é totalmente cega e autista. Para ser um economista de verdade teríamos que entender as actuais ciências planetárias, a física, até porque a Economia é uma irmã siamesa da física. Nicholas Georgescu-Roegen foi lamentavelmente ignorado, embora sem ele grande parte da teoria tradicional não existiria. Não devemos, por falta de coragem, manter um discurso apenas orientado aos negócios e atender os interesses dos grupos líderes, porque daqui em diante, nesse ritmo de colisão com o planeta, não temos mais nada a perder. E nesse futuro, não haverão vencedores, os homens mais poderosos do mundo, mesmo eles, pertencem à nossa espécie animal ameaçada e a regra planetária ignorada por quase todos é que todos os seres vivos dependem de todos os seres vivos. Não existe poder humano ou económico que mude essa interdependência. Se os líderes da economia e das nações não entenderem ou perceberem que estamos a discutir novas ideias de negócios desse novo mito chamado economia verde numa mesa que está dentro do Titanic, realmente iremos perecer.

A filosofia do “não posso abrir mão do lucro, mas posso abrir mão do planeta” não irá resolver o problema climático - e planetário, pois o aquecimento global não é "o" problema, mas um deles.
 No fundo não temos um problema climático, mas um problema moral. Se vamos mudar os nossos valores e a nossa consciência a ponto de motivar as lideranças a promover mudanças reais e não meramente paliativas é uma pergunta sem resposta. No entanto, para alguns é muito grave viver essa dúvida, porque tudo aquilo que consideramos grátis pela natureza – água, energia, clima e comida – está ameaçado, terrivelmente ameaçado e não pode mais ser considerado uma bênção.

Se todos os animais e plantas desaparecessem da Terra, a água desapareceria também. Não há uma só variável no modelo dos economistas que contabilize a contribuição inigualável e irreproduzível da água, dos 20 serviços ecológicos que mantém toda a vida e nem dos recursos naturais tangíveis, como ferro e petróleo, onde nos modelos por uma série de mágicas estatísticas são considerados nos livros consagrados de macroeconomia totalmente irrelevantes para explicar o processo económico.

Os recursos naturais tangíveis (os únicos analisados pela teoria tradicional) são vistos como irrelevantes porque representam pouco do custo da produção. Desde quando a importância de algum item pode ser directamente proporcional a seu custo? Temos que nos conformar que para alguns itens não é possível atribuir valor algum - e nem necessário. Essa ideia deveria ser testada na prática e pedir que os Estados Unidos parem imediatamente de importar 75% do petróleo que consomem. Se afinal é irrelevante para o processo, porque correr tão esganiçadamente atrás desse recurso, que ainda por cima, causa o efeito estufa da Terra?


Os economistas continuam a acreditar que a Terra é um subsistema da economia e que não há limites para o crescimento. Com isso não temos ainda uma mudança de paradigma e de discurso de sustentabilidade que só faz lembrar um velho ditado francês: quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam na mesma.

O Banco Mundial declara que a causa do problema ambiental é a pobreza e que é possível sim manter o crescimento económico e ao mesmo tempo eliminar a pobreza e salvar o planeta. Não é o planeta que está ameaçado, mas sim nós. Essa ideologia nega, portanto, todas as descobertas científicas do maior e único consenso científico internacional actual. Essa comunidade já assinou vários alertas para a humanidade, mais de 1700 cientistas, mais de 100 prémios Nobel. Ninguém fala do desperdício de tudo, da energia por exemplo, a busca de mais fontes de energia é desnecessária, já que desperdiçamos metade. 


O renomado paleontólogo norte-americano Stephen Jay Gould teve uma pequena disputa com economistas norte-americanos, que sem a sua autorização dispararam a seguinte convicção: “De acordo com Gould, toda vida na Terra está fadada à extinção, por isso se o sistema económico causar alguma extinção, estamos a prestar um favor à natureza.” Gould entrou no debate avisando que nunca tinha participado de algo tão estúpido, dizendo: “É verdade, toda vida na Terra está fadada à extinção, só 1% de toda vida que surgiu nesse planeta existe hoje. Mas isso ocorre em eras geológicas, de milhões de anos, e não em décadas e nem causada por uma única espécie. Milhões ou biliões de anos é uma régua temporal que o nosso cérebro que só vive décadas não é capaz de entender. É muita ingenuidade achar que essa extinção jamais irá voltar contra os causadores.”

Ingenuidade brutal, porque comemos, vivemos e respiramos graças aos ecossistemas e aos seres vivos e não graças à nossa tecnologia, que é um mero adereço.

Einstein escreveu que se as abelhas desaparecessem, os animais desapareceriam e os homens também, em quatro anos.
 As abelhas estão a desaparecer. No longo prazo todos estaremos mortos, mas como espécie animal seríamos praticamente imortais.

fonte: Envolverde


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