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Como serão as cidades daqui a 100 anos?
| Por Pedro Vacas


Ainda mais lotadas que atualmente. "Vai ser um mundo mais quente, ainda muito poluído e com grande miséria", afirma Joel Garreau, investigador da Universidade George Mason e autor de Edge City: Life on the New Frontier

Especialistas da ONU acreditam que a população do planeta pulará de 7 biliões para 9,1 biliões. Desse total, 70% viverá nos centros urbanos. Metrópoles como Nova Iorque, Tóquio e São Paulo devem dobrar a população. Para dar conta de tanta gente, surgirão mega-arranha-céus e teremos que ocupar o subsolo e o ar. Estradas inteligentes tentarão resolver o caos do trânsito.

Conheça as principais mudanças previstas por especialistas e investigadores:

Arranha-espaço

Para uma super-população, super-prédios. Além de apartamentos de vários tamanhos para abrigar centenas de milhares de pessoas, eles terão comércio, hospitais, escolas, lazer e até campos de agricultura. "Serão megacondomínios de 800 metros de altura, capazes de gerar energia e alimentos e reciclar água e lixo", diz Bernard Hunt, do Instituto Real de Arquitetos Britânicos. "Muita gente passará meses sem sair deles."

Vida no ar

Já dizem em Hong Kong que grandes passarelas vão ligar os principais edifícios, compensando a falta de espaço. Haverá também pistas para automóveis e autocarros, comboios, metros, etc. "O transporte sem condutor só não se popularizou ainda por causa de acidentes que chocaram o público no começo do século XX", diz Joel Garreau.

Ladrões aposentados

Boa notícia: você viverá mais. Hoje, 8% da população está acima dos 65 anos; em 2111, serão 24%. Notícia melhor ainda: isso deve diminuir a criminalidade, já que os jovens são os principais causadores (e vítimas) da violência. Mas ainda haverá bairros barra-pesada, principalmente nas megalópoles dos países pobres. A polícia vai agir na terra e no ar, contando com câmeras em todo lugar e robôs-vigias.

Estradas inteligentes

O trânsito estará ainda mais caótico, com grandes engarrafamentos, passagens de níveis urbanos e estacionamentos caríssimos. Boa velocidade, só nas vias super-inteligentes entre as cidades. Segundo Robert Strattan, investigador da Universidade de Tulsa, nelas os veículos andarão até 400km/h, a poucos centímetros uns dos outros, rastreados por radares e controlados pelo computador de bordo.

Vida sob a terra

Ninguém vai querer morar debaixo do solo, mas não vai dar para descartar esse espaço útil. Teremos shoppings conectados a estações de metro, ciclovias e pistas de caminhadas em até dez andares de profundidade. Em pontos cruciais, elevadores irão direto do subsolo até o topo dos arranha-céus. Os japoneses já têm um projeto do género, a cidade subterrânea de Marinepolis.

Quintal é luxo

Os condomínios fechados ainda serão a melhor opção para os endinheirados. Segundo Bernard Hunt, "eles irão dar abrigo, em média a 500 mil pessoas, e mesmo assim preservarão todas as características dos atuais condomínios de alto padrão" - ou seja, isolamento, segurança e algum contato com a natureza. Como a maioria das pessoas trabalhará em casa, a distância dos grandes centros não será problema.

Chaminé forever

Cidades terão parques, carros não usarão mais petróleo e lares receberão energia renovável. Mesmo assim, ainda teremos uma pequena nuvem preta da poluição sobre as nossas cabeças. "Ainda precisaremos de indústrias e os principais países desenvolvidos não conseguirão se livrar totalmente da dependência de carvão", prevê Garreau. Pelo menos, as fábricas ficarão em áreas mais isoladas.

Fonte: P. Sustentável


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