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Estudo destaca estratégia para conter alterações climáticas


Um estudo publicado ontem, dia 16, que contou com a participação de cientistas de 13 instituições diferentes, entre as quais universidades e organizações de pesquisa, conclui que a protecção de áreas florestais constitui uma das estratégias mais eficazes, práticas e de efeito imediato para combater as alterações climáticas.

Intitulado “Indigenous Lands, Protected Areas, and Slowing Climate Change” (Terras indígenas, unidades de conservação e o retardamento das alterações climáticas), o estudo foi publicado no periódico científico PLoS Biology. Os autores recomendam, especificamente, que as unidades de conservação sejam incorporadas às estratégias da redução das emissões de gases do efeito de estufa oriundas do desflorestação e da degradação florestal.

“A desflorestação é a causa de aproximadamente 15% das emissões mundiais de gases do efeito de estufa. Essa percentagem é superior ao de todas as emissões causadas por automóveis, caminhões, navios e aviões no mundo inteiro. Se não conseguirmos reduzir as emissões oriundas da desflorestação, vamos fracassar nos esforços para estabilizar o clima”, afirma Taylor Ricketts, diretor do Programa Científico do WWF-Estados Unidos e principal autor desse estudo. “O nosso artigo demonstra que criar e fortalecer terras indígenas e unidades de conservação pode ser um meio eficaz de reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, agregar vários benefícios adicionais para as populações locais e os animais silvestres”.

O estudo apresenta análises e demonstra que, desde 2002, na Amazónia Brasileira, a desflorestação foi 7 a 11 vezes menor dentro das terras indígenas e unidades de conservação (parques, estações ecológicas, reservas extractivistas e outras), em relação à desflorestação ocorrido em áreas que não estão sob protecção oficial.

As simulações indicaram que as áreas protegidas criadas entre 2003 e 2007 foram capazes de prevenir a desflorestação de uma área estimada de 259 mil km2 até 2050.

A eficácia das áreas protegidas na redução efectiva das emissões será maior quando as unidades de conservação estiverem em regiões onde ocorre maior pressão da desflorestação.

"Esse estudo confirma o acerto dos investimentos mundiais em áreas protegidas”, declara Gustavo A. B. da Fonseca, co-autor do estudo e Líder da Equipa de Recursos Naturais do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). “Além de proteger ecossistemas e espécies importantes no âmbito mundial, as 2.302 áreas protegidas que contam com o apoio do GEF cobrem uma extensão de 634 milhões de hectares e, juntas, servem de depósito para nada menos do que 30 biliões de toneladas de CO2".

Negociações internacionais

As políticas internacionais de compensação da redução de emissões oriundas da desflorestação e da degradação florestal (REDD) para nações com grandes áreas de florestas são objecto de intensas negociações. Para ter acesso aos fundos de compensação, os países em desenvolvimento terão que desenvolver programas e instituições capazes de reduzir as emissões pela desflorestação.

“As unidades de conservação representam um componente valioso dos programas nacionais de REDD, pois já dispõem de infra-estruturas e das instituições necessárias para utilizar os fundos, fortalecer a protecção e gerar resultados”, declarou Cláudio Maretti, superintendente de conservação do WWF-Brasil. “A criação de unidades de conservação geralmente torna mais claras questões relativas à propriedade da terra e aos direitos a créditos de carbono a ela associados, que têm sido motivo de impasse em algumas negociações”.

O estudo também avalia que os custos de criação e do aperfeiçoamento da gestão e manejo das unidades de conservação é inferior ao de outras alternativas para reduzir as emissões oriundas da desflorestação. Para completar uma rede robusta de áreas protegidas no mundo em desenvolvimento e fazer a gestão da mesma seria preciso dispor de 4 bilhões de dolares anuais. Essa quantia equivale a aproximadamente um décimo do capital disponível para as políticas internacionais de REDD.

Segundo o estudo, as nações florestais podem fortalecer o papel das áreas protegidas nas suas estratégias de REDD com as seguintes medidas:

- Identificar onde as terras indígenas e as unidades de conservação poderiam ser mais eficazes para reduzir os índices de desflorestação e as emissões associadas;
- Instituir um software nacional para medir os índices de desflorestação e quantificar as reduções de emissões de carbono;
- Criar mecanismos de seguro contra a extracção ilegal de madeira e os incêndios florestais;
- Suprir os povos indígenas e comunidades locais com as informações e capacitações necessárias para que eles possam participar;
- Adoptar a transparência nos pagamentos feitos para compensar quem é responsável pela redução de emissões.

fonte: WWF Brasil


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