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Aterro do Oeste poderá receber mais resíduos
| Por Pedro Vacas


A Plataforma das organizações ambientalistas Quercus, MPI – Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente e ADAL – Associação de Defesa do Ambiente de Loures, na sequência da recolha de informação obtida nos últimos dias vem alertar os autarcas do Cadaval para os sérios riscos que o aterro do Oeste corre de vir a receber mais resíduos nos próximos anos, na sequência do modelo previsto na fusão entre a Valorsul e a Resioeste.

A Plataforma pede aos autarcas do Cadaval (Presidente, Vereadores e membros da Assembleia Municipal) que ponderem seriamente a sua posição em relação ao processo de fusão, uma vez que estarão a tempo de impedir uma decisão errada por parte da Câmara Municipal, a qual ainda não tomou uma decisão sobre este assunto.

Os factos preocupantes:

1 – Resíduos não vão ser reciclados

O modelo técnico da fusão prevê que a generalidade dos resíduos da actual Resioeste não sofram qualquer tipo de tratamento que vise a reciclagem e sejam enviados directamente para aterro ou incineração.

A Plataforma defende que deveria ser instalado na Resioeste um sistema de Tratamento Mecânico e Biológico (TMB), como já existe noutras partes do país que permite taxas de reciclagem entre 60 a 80%, anulando assim o risco de terem de ser enviadas grandes quantidades de resíduos para o aterro do Oeste por falta de capacidade do incinerador da Valorsul.

O TMB é composto por um tratamento mecânico que permite separar grande parte dos recicláveis (plástico, vidro, metal e cartão) e por um tratamento biológico que transforma os resíduos orgânicos em composto, gerando postos de trabalho e riqueza a nível local.

O Ministério do Ambiente tem recusado esta solução para o Oeste, embora a tenha aceite para outros pontos do país.

A Plataforma aproveita esta oportunidade para esclarecer que a acusação que o Ministério fez à Plataforma de querer que os resíduos vão para o aterro do Oeste, é totalmente falsa, uma vez que quer a Plataforma, quer as associações que a constituem sempre defenderam o Tratamento Mecânico e Biológico na Resioeste, exactamente para reduzir substancialmente os resíduos a colocar em aterro.

2 – Incinerador da Valorsul não tem capacidade excedentária

O incinerador da Valorsul nunca teve capacidade para tratar todos os resíduos daqueles municípios, caso contrário não teria entre 2002 e 2007 enviado para aterro entre 144 mil e 228 mil toneladas de resíduos.

Assim será impossível àquele incinerador receber as 80 mil toneladas de resíduos que seriam enviadas pela Resioeste.

3 – Ministério do Ambiente responde à Plataforma

O Ministério do Ambiente, após várias insistências, respondeu finalmente à Plataforma apresentado dados referentes a 2008 que indicam que uma das linhas de incineração teve 24 paragens, o que obrigou a enviar grandes quantidades de resíduos para aterro.

O Ministério também admitiu que desde 2002 o incinerador já teve graves problemas em três anos (2004, 2007 e 2008), sendo a Valorsul obrigada a enviar nesses anos cerca de 200 mil toneladas de resíduos para aterro.

4 – Resioeste apresentou um Estudo de Impacte Ambiental para aumentar deposição de resíduos no aterro

A prova decisiva de que nem a Resioeste, nem o Ministério do Ambiente acreditam na existência de capacidade excedentária no incinerador da Valorsul é o facto do Ministério se preparar para aprovar um Estudo de Impacte Ambiental apresentado pelo Resioeste que prevê aumentar ainda mais os resíduos a colocar no aterro do Oeste.

Duas associações constituintes da Plataforma (MPI e Quercus) contestaram esse estudo exactamente porque irá permitir a eternização da deposição de resíduos no aterro, eliminando logo à partida a possibilidade de instalação do Tratamento Mecânico e Biológico.

5 – Projecto de fusão prevê que resíduos da Valorsul possam ir para aterro do Oeste

Na última versão (Fevereiro de 2009) do documento técnico que serve de justificação à fusão, é referido que o aterro do Oeste vai funcionar como “fusível” do sistema, o que em termos técnicos significa que pode vir a receber resíduos da zona da Valorsul, caso o incinerador venha a ter problemas. Ora como essa situação é recorrente naquele incinerador, como o comprovam os quantitativos enviados para aterro, a probabilidade do aterro do Oeste receber resíduos da Valorsul é muito grande.

Com efeito, para a Valorsul, uma das grandes vantagens desta proposta de fusão é ter mais um aterro onde despejar os muitos resíduos que não consegue incinerar, ou mesmo as cinzas perigosas resultantes do processo de queima de resíduos.

fonte: Plataforma Alerta/Quercus


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