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Transformar lixo em energia renovável é um bom negócio


A Enerkem, empresa de Quebec que usa lixo para produzir etanol, levantou 51,5 milhões de dólares de um grupo de investidores que inclui a Waste Management de Houston, grande empresa que faz operações de gestão do lixo. Essa é a segunda injecção de capital substancial na empresa, que obteve 50 milhões de dólares do Departamento de Energia em Dezembro para uso em tecnologia limpa.

A Enerkem desenvolveu um processo de gaseificação que transforma lixo sólido municipal reciclado num gás de síntese, que é limpo e refinado, em etanol, metanol e acetato. A empresa tem um acordo de 25 anos com a cidade de Edmonton, segundo o qual a Enerkem vai reprocessar 100 mil toneladas de lixo triturado anualmente numa central a ser construída no próximo ano.

Uma biorrefinaria idêntica está a ser construída em Pontotoc, Mississipi, para a Autoridade de Lixo Sólido de Three Rivers. Ela vai processar 300 toneladas de lixo por dia e produzir 10 milhões de galões de etanol por ano.

Ambos os terrenos servem regiões que carecem de depósitos de lixo e estão situadas perto de centros de refinaria (Fort Saskatchewan, próxima a Edmonton, e a Costa do Golfo, respectivamente).

Em Edmonton, a cidade paga a Enerkem para retirar o lixo, e a empresa também retém o direito de vender o etanol para refinarias locais para que possa ser misturado na gasolina.

As outras empresas de capital de risco com participação no investimento anunciado foram reunidas pelo Morgan Stanley e incluem Rho Ventures, Braemar Energy Ventures, BDR Capital e Cycle Capital.

O interesse da Waste Management, que opera depósitos de lixo em ambas as regiões, é um sinal de que grandes empresas que recolhem lixo buscam aproveitar as oportunidades criadas pelas tecnologias de biocombustíveis, observa o director da Enerkem, Vincent Chornet.

– Os players do biocombustível do amanhã não serão os players petroquímicos convencionais – prevê.

Tim Cesarek, director geral de cultivo orgânico da Waste Management, diz que o acordo complementa as actividades da empresa para reciclagem e transformação de lixo em energia. A empresa quer dobrar a produção de energia renovável até 2020.

Segundo Chornet, outras empresas de etanol de segunda geração tinham reprocessado lixo de fibra transformando-o em etanol, mas nenhuma outra usou lixo industrial ou da população em geral que não podia ser vendido para empresas de reciclagem.

A Enerkem opera uma central desse tipo em Westbury, Quebec, desde o ano passado, em escala comercial. Ela usa pedaços descartados de madeira da instalação. A central de Westbury é a primeira deste tipo no mundo, diz a empresa, e vai produzir 1,3 milhões de galões de etanol anualmente.

A Enerkem sofreu investigações de meia dúzia de municípios desde a garantia do Departamento de Energia, e optou por proceder de forma cautelosa para provar que a sua tecnologia era capaz de funcionar na escala exigida para operações de gestão de grande quantidade de lixo.



fonte: The New York Times


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